De acordo com os registros e relatos que resistiram até esses tempos, há mais de três séculos, começaram a ser erguidas belas edificações em frente ao ponto de encontro entre o Rio Grande e o São Francisco.
Infelizmente já não se encontram em Barra construções tão antigas, e da sua arquitetura neocolonial só restam alguns dos prédios datadas do início do século XIX, nada restou dos séculos XVII e XVIII. Foi tudo devastado durante alguma das seis enchentes ou perdido no tempo pela falta de preservação.
Mesmo assim, ainda hoje podemos contemplar a riqueza do resultado de toda a dedicação dos nativos que colonizaram essas terras, perpetuado nas mais variadas formas de manifestações artísticas e culturais – prédios, estátuas, pinturas, livros, cerâmicas, folclore...
O considerável patrimônio arquitetônico da Barra está incluído no Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia, IPAC; conforme estudo e catalogação publicados no Volume VI da Secretaria da Cultura e Turismo do Estado: Monumentos e Sítios das Microrregiões Nordeste, Vale Sanfranciscano e Extremo Oeste da Bahia.
No elenco dos prédios selecionados pelo IPAC estão:
- Igreja do Bom Jesus dos Navegantes (1808)
- Igreja Matriz - Catedral de São Francisco das Chagas (1859)
- Palacete da Rua dos Mariani - Prefeitura antiga (1904)
- Mercado Municipal (1917)
- Palacete Pinto (1919)
- Chalé dos Mariani - Camandaroba (1921)
- Chalé Irineu Simões - Casa da Cultura Avelino Freitas (início do século XX)
- Casa da Fazenda Torrinha (1874)
- Casa da Fazenda Boqueirão (1843).
Além desses imóveis, existem outros de igual importância história e arquitetônica como: a antiga Estação Telegraphica (século XIX), onde atualmente funciona a Prefeitura Municipal; o conjunto do Palácio Episcopal (1932) com capela, chalé e seminário; o prédio da Loja Maçônica, antigo Hospital de São Pedro (1842), construído pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia; a Capelinha de Senhora Santana (século XIX); a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (1950); o antigo Teatro São João, construído no século passado; o prédio dos Correios e Telégrafos (1937); a Igreja Batista (1948); vários casarões na área comercial, entre outros.
Pelas ruas da Barra pode-se contemplar também um excelente acervo de estátuas em bronze, de autoria do escultor barrense Dom Martins de Oliveira. As esculturas compõem o movimento artístico-cultural que o autor denominou de “Ciclo do Bronze”, composto de obras do gênero espalhadas pelo Vale do São Francisco, entre 1959 e 1974, especialmente nas cidades de Barra, Bom Jesus da Lapa, Juazeiro, Paulo Afonso e Penedo.
Barra é uma cidade que possui belo traçado urbanístico, com ruas, becos, praças e avenidas amplas e arborizadas, sendo considerada uma das mais bonitas e acolhedoras de toda a margem do Velho Chico.